Como viver em uma arquitetura à frente do seu tempo?


Como viver em uma arquitetura à frente do seu tempo?

Essa é uma boa questão para o mundo da arquitetura e decoração. Não tenho pretensões de estabelecer o que é certo ou não, até porquê, o simples fato de impor algo já soa “errado”. Para cada um ou para cada momento, uma verdade se faz sentido.

Mas gostaria de compartilhar pensamentos que são frutos de minhas experiências profissionais e de minha vida pessoal. Por me permitir construir um olhar distanciado dos fatos e dos dilemas do viver e imaginá-los como seriam resolvidos com o bom uso da arquitetura.

Gosto de pensar que a arquitetura é um reflexo do seu tempo, da sociedade em que vivemos e também das necessidades que enfrentamos. E boas cidades são aquelas que planejam o futuro da sua comunidade por meio de diretrizes e ações arquitetônicas/urbanísticas, permitindo que as pessoas compreendam o caminho proposto e contribuam para a sua construção e melhoria.


No entanto, e principalmente em sociedades não planejadas como a nossa (maioria das cidades brasileiras), pouco pudemos desfrutar destas qualidades que o bom pensamento profissional pode proporcionar. Estamos acostumados a utilizar a arquitetura e o urbanismo como ferramentas para resolver problemas depois que eles já se tornaram parte do nosso “eco sistema” urbano. Não construímos futuro...nós só tentamos resolver o caos imediato. E ainda assim, somos muito ruins nisso.

Porém, existe um lugar, um ambiente, um “eco sistema” do qual temos capacidade de agirmos de forma plena. E este é a nossa casa. Em nossa casa podemos fazer da forma que quisermos. Tudo vale e nada é errado, desde que aquilo que for pensado faça sentido para você.

Porque o meu vaso sanitário não pode ter uma das melhores vistas da minha casa? Afinal, talvez seja um dos lugares no qual mais ficamos disponíveis à contemplação, não?

Ao meu ver, existe apenas uma condição que nos impede de sermos aquilo que gostaríamos de ser. Esta é: “a convenção onde todos concordam e aceitam que aquilo é o correto”. Em miúdos: “o que é o normal”.

Como a grande maioria das pessoas opta por não abrir mão do que é o normal (ou é a única opção que estão dispostos a perceber), resta, como “saída”, a escolha por marcas, objetos e roupas para definirem seus padrões sobre ser moderno/descolado/contemporâneo/etc...

Sem qualquer crítica ao consumo, pois é o consumo que move a sociedade trabalhadora e nossas vidas econômicas, vejo ainda muita dificuldade na construção de uma sociedade mais evoluída culturalmente. Somos muito apegados ao que já conhecemos e testamos e pouco abertos à inovações.

O que quero dizer é que, quando começarmos a questionar todas estas convenções de viver a partir do nosso “eco sistema” casa, seremos capazes de desfrutar de uma vida mais avançada.

Perguntas como: Porquê devemos dedicar tanto espaço nas áreas individuais da casa se podemos qualificar os espaços de convívio? Porquê os filhos não podem dividir o quarto em troca de uma casa ou apto. maior com outras qualificações? Quanto de nossas casas vamos dedicar às individualidades? Porquê preciso de tantas paredes? Como qualificar a minha climatização natural? Como tornar os ambientes mais polivalentes? Quais as tecnologias fazem diferença em nossa vida diária? Como minha casa pode ser mais inteligente e sustentável? Como a funcionalidade da minha casa pode qualificar a minha rotina de vida? Porquê preciso guardar tanta coisa?

São respostas de perguntas como estas que, quando transformadas em escolhas e definições arquitetônicas, são capazes de realmente nos proporcionar uma vida mais evoluída.

As observações que fiz sobre nossas cidades, no início deste texto, são aplicadas às nossas atuais casas, pois às pensamos da mesma forma que pensávamos a muito tempo. Ou seja, apenas projetamos para resolver problemas e quase nada para construirmos novas formas de viver.

Acredito que para nos tronarmos pessoas mais evoluídas, deveríamos pensar os espaços da forma que entendemos ser saudável e melhor para se viver. E que o ambiente nos imponha desafios de mudanças para quebrarmos nossos paradigmas e rompermos com os “certos e errados” do passado.

Para mim, isto, hoje, é ser diferente. Isto é pensar diferente. Isto é viver o mais próximo de um ambiente inovador e futurista. Se praticarmos isto em nossas casas, teremos capacidade de reproduzir o resultado fora delas também.

Boas práticas e escolhas de vida é que fazem uma vida melhor. E a arquitetura é uma ferramenta poderosa para isso.

Obrigado pela leitura e boas reflexões!! Maurício Aurvalle, arquiteto.

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